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Abastecimento

Programa leva água potável a mais de mil famílias do semiárido e evita doenças

O investimento total do Programa Água Doce é de R$ 13,2 mi, sendo R$ 11,8 mi do MDR e R$ 1,3 mi do Governo do Estado

Fonte: Emater e MDS 9 setembro 2019 9:04

Até 2017, as crianças e adultos da comunidade Espírito Santo, no município de Campo Alegre do Fidalgo, semiárido piauiense, viviam adoecendo. As crianças sempre com diarreias e os adultos com problemas renais e pressão alta. O motivo era a ingestão de água salobra ou salina, coletada de poços tubulares, única alternativa do líquido, até então, para os moradores da região.

Mas a implantação do Programa Água Doce, naquele ano, mudou a vida do povoado. Por meio do processo de dessalinização da água, crianças e adultos passaram a ter uma vida melhor. Consumindo apenas água potável, alunos não faltam mais às aulas por estarem doentes e adultos não precisam mais ir a hospitais para tratar de cálculos renais ou tomar medicamentos para pressão alta, doenças provocados pela ingestão da água salgada.

Segundo o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Piauí (Emater), 30% da água disponível no subsolo do semiárido piauiense é salobra, inadequada para o consumo humano. Cerca de 150 mil pessoas no Piauí vivem nessas regiões em que a água do subterrâneo apresenta essas características.

O Programa Água Doce é uma criação do governo federal que, em parceria com os governos estaduais e municípios, trata a água imprópria para consumo e as leva até as comunidades. No Piauí, cerca de 1.100 famílias de 11 localidades já foram beneficiadas pelo programa. Até julho de 2020, terão sido ao todo 67 comunidades atendidas em 12 municípios, alcançando 27 mil famílias. O programa prioriza os municípios com mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), influenciada pela taxa de longevidade. O investimento total é de R$ 13,2 milhões, sendo R$ 11,8 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional e R$ 1,3 milhão do Governo do Estado.

Como funciona a dessalinização

O sistema funciona assim: a água é captada por meio de poço tubular e passa por um tratamento, a chamada dessalinização. Em um dos recipientes do sistema, fica a água potável, pronta para beber. No outro fica a água com resíduos sólidos, os dejetos.

A água de qualidade, então, é distribuída à população, por meio de um sistema automático em que cada família tem acesso a exatamente 20 litros de água por dia, que é a quantidade de água distribuída necessária para as necessidades dos moradores de uma residência. “O usuário não pode nem coletar mais de 20 litros e nem menos, evitando o desperdício e também impedindo que a família leve menos água do que precisa”, explica Genésio Pascoal, morador local e responsável pela manutenção do sistema na comunidade Espírito Santo.

Genésio é responsável pela manutenção do sistema na comunidade Espírito Santo (Reprodução TV CCom)
Genésio é responsável pela manutenção do sistema na comunidade Espírito Santo (Reprodução TV CCom)

Essa água tratada sai direto da torneira do chafariz para os vasilhames, sem passar por qualquer manuseio, o que faz com que sua qualidade seja mantida. Nas residências, essa água é utilizada para banhar bebês, na alimentação e para matar a sede. Já para demais atividades, como banho de adultos, descarga no banheiro ou lavar louças, os moradores mantêm o uso da água salobra.

O professor Avelar Araújo, morador da comunidade Espírito Santo, conta que o programa Água Doce, além de levar mais qualidade de vida às comunidades, também conscientiza sobre o meio ambiente. “Os técnicos do Emater vieram antes para conversar com todos e orientar para não desperdiçar esse líquido tão importante. Hoje, ninguém aqui na região reclama mais da água”, diz Araújo.

Ele lembra que, quando as cisternas das residências recebiam água dos carros-pipas, algumas famílias consumiam todo o produto em apenas dois meses, e em outras casas a água só acabava em seis meses. “Ou seja, havia mau uso da água, desperdício. Hoje, a operação carro-pipa não existe mais aqui, mas ninguém sente falta”, comemora o professor.

Avelar Araújo diz que o programa também conscientiza sobre o meio ambiente (Reprodução TV CCom)
Avelar Araújo diz que o programa também conscientiza sobre o meio ambiente (Reprodução TV CCom)

A saúde de Avelar também agradece. Como ele tem só um rim, o cuidado com o consumo de água era redobrado. Antes Araújo precisava procurar água potável em outra comunidade, ou então tomar medicamentos para evitar ou tratar cálculo renal. Isso, agora, é coisa do passado.

O aposentado Aderson Rodrigues gosta tanto da água dessalinizada que a considera melhor do que água mineral. Ele lembra que se até mesmo o radiador de um carro causa problemas na mecânica do veículo se for utilizada a água salobra da região, imagina então o que não acontece com o estômago de uma pessoa.

Aderson Rodrigues gosta tanto da água dessalinizada que a considera melhor do que água mineral (Reprodução TV CCom)
Aderson Rodrigues gosta tanto da água dessalinizada que a considera melhor do que água mineral (Reprodução TV CCom)

Melhoria do IDH

O diretor-geral do Emater, Francisco Guedes, frisa que o programa Água Doce não traz apenas qualidade de vida, mas também evita mortes, pois pessoas com hipertensão não terão mais sua saúde piorada pelo consumo de água salina. “O programa aumenta a longevidade da comunidade, contribuindo para melhorar o IDH dos municípios”, afirma  o gestor.

Além de purificar a água, o PAD também está sendo usado, em algumas comunidades, em projetos de dessedentação animal ou irrigação para agricultura biossalina. O programa ainda dá destinação ambientalmente adequada do efluente gerado no processo de dessalinização. Na maioria dos casos, o efluente é lançado num tanque de contenção para evaporação, evitando a degradação do solo.

 (Reprodução TV CCom)
(Reprodução TV CCom)

Apesar do programa objetivar chegar a 27 mil famílias no Piauí, o Emater vai solicitar novos investimentos do governo federal para ampliar o sistema para outras 30 mil famílias de comunidades vizinhas, que também sofrem com o uso de água salina. Ao todo, o PAD pode chegar a alcançar quase 60 mil famílias, ou 150 mil sertanejos.

Reconhecimento internacional

O êxito da metodologia do PAD foi reconhecido com a premiação do Programa Água Doce pela Associação Internacional de Dessalinização (IDA), durante o Congresso Mundial de Dessalinização realizado em outubro de 2017, em São Paulo/SP. Além disso, destaca-se a participação do Programa Água Doce em evento paralelo ao Conselho Econômico e Social da ONU realizado em maio de 2017, em Nova Iorque, onde o programa foi reconhecido como uma iniciativa que adota uma abordagem integrada para o desenvolvimento sustentável e combate à pobreza.

A água tratada sai direto da torneira do chafariz para os vasilhames (Reprodução TV CCom)
A água tratada sai direto da torneira do chafariz para os vasilhames (Reprodução TV CCom)

Como resultado do Congresso Mundial de São Paulo, realizado em outubro de 2017, foi estabelecida uma parceria entre o Programa Água Doce, a Associação Internacional de Dessalinização e a Associação Latino-americana de Dessalinização (Aladyr). Em parceria com a Aladyr, o Programa Água Doce organizará o Seminário Aladyr Brasil 2019, que foi realizado entre os dias 22 e 23 de maio de 2019, em Salvador. O programa também foi convidado para participar do Congresso Mundial IDA 2019, entre os dias 20 a 24 de outubro de 2019, em Dubai.

Municípios que já foram atendidos pelo Programa Água Doce no Piauí

– Campo Alegre do Fidalgo (seis comunidades)

– São Francisco de Assis do Piauí (uma comunidade)

– Betânia do Piauí (três comunidades)

– Vila Nova do Piauí (uma comunidade)

Territórios e municípios atendidos pelo Programa Água Doce no Piauí até julho de 2020

– Serra da Capivara: Campo Alegre do Fidalgo e Lagoa do Barro.

– Vale do Rio Itaim: Curral Novo do Piauí, Betânia, Acauã, Caldeirão Grande do Piauí, Massapê e Queimada Nova.

– Vale do Rio Canindé: São Francisco de Assis do Piauí.

– Vale do Rio Piauí e Itaueira: Pedro Laurentino.

– Vale do Rio Guaribas: São Julião e Vila Nova.

Total investido: R$ 13,2 milhões, sendo R$ 1,3 milhão do Governo do Estado

 

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